( Continuação do post “Entrevista com Andrea Rossi – Parte II”.)
F.A.: Isso seria muito interessante. E o que lhe parece a utilização de um motor Sterling? É algo que lhe chame à atenção?
A.R.: Nesta momento, sim. Se este novo reator confirmar aquilo que estamos a imaginar, então o motor Sterling está de novo na corrida. Porque eu consigo ter uma ideia muito clara da questão. Eu antevejo um cilindro que seria colocado diretamente em contacto com a superfície, com o topo em contacto com a superfície do reator, de forma a que o cilindro se mova com a temperatura; e nós estamos a trabalhar neste sentido. Vamos trabalhar nesta conceção. Sim, o motor Sterling que temos utilizado tem tido, até agora, muito pouca eficiência com as temperaturas pelos quais temos vindo a batalhar. Mas vai entrar de novo na corrida para estas temperaturas recentes, mais elevadas, se os dados se confirmarem.
F.A.: Para pessoas que tal como eu não são percebem assim tanto de assuntos técnicos, quais são as vantagens de um motor Sterling em relação a uma turbina convencional?
A.R.: Não é uma questão de vantagens, mas sim do tipo de aplicações.
F.A.: Estou a ver…
A.R.: A eficiência de um motor Sterling, bem, honestamente, eu não sou especialista em motores Sterling. Não é a minha especialidade profissional. Nós temos um especialista que trata desta área, e ele está a trabalhar aqui nos E.U.A. connosco. E sabe, um motor Sterling pode ser extremamente interessante como aplicação para o transporte e outras coisas do género.
F.A.: Ok.
A.R.: O ciclo de Carnot e o motor Sterling podem ser úteis para níveis de potência inferiores. O ciclo de Carnot é (também) indicado para aplicações industriais de elevada potência elétrica.
F.A.: Ok. Muito bem. Obrigado. Eu gostava de passar agora ao assunto da certificação. Disse que as unidades de E-Cat para uso doméstico estavam dependentes dos certificadores. Podia dizer-nos um pouco mais sobre porque é que a certificação é tão importante?
A.R.: A certificação é exigida por lei. Não é só importante, é obrigatória, porque por lei não se pode vender um aparelho que não tenha um certificado a confirmar a sua segurança. E temos de fazer uma distinção importante entre a certificação dos aparelhos para uso doméstico e a dos aparelhos para uso industrial. No que diz respeito aos aparelhos industriais, já está tudo tratado porque é mais fácil conseguir certificações para este tipo de aparelhos. Porque são utilizados por especialistas, que fazem um curso para aprender a trabalhar com os aparelhos. fazem um exame depois do curso e depois do exame são certificados por nós como operadores credenciados. Na indústria há todo o tipo de aparelhos para segurança, exigidos por lei e estão sempre em manutenção, etc, etc. Por isso, uma aplicação industrial é bastante mais fácil de fazer, com segurança. No que diz respeito à aplicação doméstica, a situação é muito mais difícil porque o proprietário nem tem de ler o manual de instruções, quanto mais fazer o curso de preparação. O proprietário de uma unidade de E-cat e que viva num apartamento pode não conseguir ler as instruções do aparelho, mesmo que estas estejam escritas de uma forma fácil de compreender. Pode ser um tipo exemplar quando está na tua casa, mas quando chega à dele pode fazer parvoíces. Pense, por exemplo, na senhora que recentemente colocou o gato dentro do microondas e o fabricante teve de pagar os estragos (…)
A entrevista continua mas esta parece-nos ser a parte que mais interessa a nós, ávidos seguidores.
