Recentemente D.C. Dennison, jornalista do The Boston Globe escreveu um artigo sobre o cientista Andrea Rossi e aquela que pode ser a descoberta do século, o E-Cat. Trata-se de um artigo muito bem escrito, imparcial e sem os exageros a que já nos habituámos quando o tema tratado é tão polémico quanto a fusão a frio. Como tal, aqui fica a tradução livre do artigo já citado e que se intitula “Esperança, Ceptcismo para a Fusão a Frio“.
O cientista italiano que afirma ter desenvolvido o primeiro reator de fusão a frio do mundo - afirmação essa que tem sido implacavelmente contestada nos círculos científicos - visitou na semana passada a State House com o objetivo de explorar quais as perspetivas para o desenvolvimento e a fabricação do aparelho no Estado de Massachusetts.
Andrea Rossi efetuou a viagem a convite do líder minoritário do Senado, Bruce Tarr, um Republicano de Gloucester, e encontrou-se na terça-feira com representantes do Instituto de Tecnologia de Massachussets, Northeastern University, e da Universidade de Massachusetts.
O catalisador de energia de Rossi, ou reator “E-Cat’’, destina-se a produzir grandes quantidades de energia a partir de uma reação entre o níquel e o hidrogénio. Rossi disse que a reação produz calor que aquece a água, o que por sua vez, produz vapor que pode ser utilizado para gerar eletricidade.
Se a tecnologia funcionar, esta possibilitará a existência de uma nova geração de usinas que forneçam energia nuclear segura, limpa, barata e aparentemente inesgotável, sem preocupações inerentes aos combustíveis fósseis ou às radiações.
Contudo, na presente data, considera-se amplamente que a eficácia do E-Cat ainda não foi comprovada. Os testes têm sido poucos e secretivos, possivelmente porque, conforme disse Rossi, a sua tecnologia ainda não foi patenteada.
O E-Cat acha-se também ensombrado pelas alegações prévias de “fusão a frio’’, as quais nunca foram provadas. Em 1989, os pesquisadores Stanley Pons e Martin Fleischmann alegaram entusiasticamente ter produzido uma pequena quantidade de energia através de um processo de fusão nuclear, efetuado na bancada de um laboratório à temperatura habitual. Embora o seu trabalho tenha garantido a capa da revista Time, outros cientistas falharam em replicar a fusão a frio, e este ramo científico rapidamente caiu em descrédito.
Rossi, um engenheiro, tem tentado ressuscitar a ideia. No mês passado, conduziu um teste a uma pequena usina de fusão a frio em Bolonha, Itália, para um cliente anónimo, o qual Rossi diz ter ficado convencido a ponto de comprar a unidade.
Rossi afirmou que já recebeu encomendas de mais 12 clientes.
O acesso a demonstrações por cientistas e observadores esternos foi grandemente restringido, o que contribuiu muito pouco para aligeirar as reservas dos céticos que afirmam que a fusão nuclear a temperatura ambiente é uma impossibilidade científica.
Tarr, que se empenha na legislação de energia alternativa, declarou que tinha convidado Rossi para incentivar o estado a acolher qualquer iniciativa no desenvolvimento da fusão a frio.
“A minha ideia é bastante simples: se funcionar, eu quero que esta tecnologia seja desenvolvida e fabricada em Massachussets,’’ disse Tarr .
Robert Tamarin, reitor das ciências na UMass Lowell, esteve presente nesta reunião com Rossi.
“Conhecendo a reputação da fusão a frio, compareci ao encontro com uma grande dose de ceticismo,’’ disse ele.
“Era uma sala cheia de céticos. O senador Tarr também estava cético, mas se funcionasse, então ele queria que Massachusetts pudesse tirar proveito disso. Se esta tecnologia tiver sucesso, ele não quer que mais tarde alguém diga que nos afastamos.’’
Tamarin mencionou que a reunião tinha servido essencialmente para discutir a possibilidade de acordar a fabricação, em vez de para validar a tecnologia.
“Rossi disse que não estava pronto para uma investigação académica profunda da sua tecnologia porque ainda não está protegido pela patente,’’ confidenciou Tamarin. “Isso tanto pode significar que não funciona, como pode significar que funciona muito bem.’’
Depois do encontro, Rossi, que pagou a sua própria viagem para Massachusetts, sentia-se entusiasmado com a possibilidade de uma parceria com o estado.
“Massachusetts possui a densidade de tecnologia e clientes de que precisamos,’’ disse ele. “Além disso, não tem a burocracia que nós temos em Itália.’’
Rossi afirmou ainda que gostaria de desenvolver pequenos geradores de fusão a frio para uso doméstico em Massachusetts.
“Já estou a pensar em voltar depressa,’’ disse ele. “Todos nós queremos iniciar o processo em questão de semanas, não meses.’’
